Era uma vez um moleque gordo que cresceu dentro de um Opala e ficou marcado por isso pelo resto da vida...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Aimeudeus 3: O Resgate

É, hoje o Ogro negou fogo pela 3a vez. Tentando levá-lo até o Samuca pra fazer um levantamento primário sobre o que fazer na estrutura dele, o motor fraco não deu conta do recado, e mais: pra completar, o arranque falhou. Antes ele ficava no toc-toc algumas vezes, sem virar o motor, mas acabava pegando no final. Mas não hoje. E, quando resolveu virar, travou no nhenhenhém e ninguém coneguia desligar, até o arranque começar a fazer fumaça e eu meter a mão no cabo da bateria. Aí, sem opção, ele finalmente apagou.

Pra coroar: ele morto, numa rua levemente inclinada e de paralelepípedos horrendamente irregulares (a minha), eu tive que empurrar os quase 1500kg de metal por meio quarteirão até uma posição decente, colado à calçada. Sozinho. Meus músculos doem de novo só de lembrar.

Aimeudeus...

domingo, 11 de abril de 2010

Vale a pena ler...

Meus caros, tomei a liberdade de copiar este texto ótimo, dando o devido crédito da fonte:


Um diamante na carvoaria...


"Um tremendo paradoxo, na época da ditadura tínhamos carros esportivos, grandes, potentes e velozes. Foguetes nas mais diversas cores e tracionados pelo eixo traseiro como deveria ser todo carro. Porém passados mais de 30 anos, democracia restaurada há 25, e o Brasil com um dos maiores mercados do mundo, o que temos?" (Clique aqui para ler o resto)

No further comments...

domingo, 28 de março de 2010

Vendendo os bancos

É, o sonho acabou. Como o câmbio do Ogro é originalmente no chão (e sendo também o banco inadequado para um carro de duas portas, como já mencionado), foram-se minhas esperanças de levantar a alavanca de marchas pra coluna, e por isso estou anunciando o jogo de bancos do carro. O site escolhido (por enquanto, o único) é o Balcão.com, e o link segue aqui, com várias fotos para os interessados.

Vale ressaltar que toda a renda obtida com a venda dos bancos será revertida para a campanha "Faça um Cupê 1973 Feliz", que só não tem conta no Bradesco porque sou cliente do Itaú há vários anos... (Toda campanha beneficente tem conta no Bradesco, já se deram conta??)

E, pra completar: após outra tarde de baba-baba-raspa-raspa, o pára-choque traseiro já tá quase!

Operação tartaruga...

É, meus caros, enquanto eu me debato com as questões fundamentais da Vida, o Universo e Tudo o Mais (inclusive a mais crítica no momento, Como Arranjar Grana pra levantar o Ogro), sigo meus pequenos esforços pra pelo menos não deixar o carro com cara de "Alguém me Esqueceu Aqui". Sábado de poucos progressos, mas pelo menos pude progredir um pouquinho no pára-choque traseiro, esquecido há tanto tempo naquele estado de meia-tinta pra lá, quase raspado pra cá. Junto com a peça raspada, limpo também a consciência: não deixei meu filhote largado a semana toda. Ainda não vale a pena tirar fotos, mas a coisa tá andando, quando a traseira ficar toda sem tinta eu posto.

Nota mental: comprar outra lata de Baba do Diabo (nome comercial: removedor pastoso), a minha tá acabando...

E de resto, vale o conselho escrito em garrafais e amigáveis letras na capa do nosso famossíssimo Guia do Mochileiro das Galáxias, o grande repositório de todo o conhecimento universal: NÃO ENTRE EM PÂNICO!!!

terça-feira, 23 de março de 2010

Contra a parede

É, meus caros, como eu imaginava a coisa ficou feia. Não só por causa da longarina em si, mas pelo monte de coisa que tem que mexer pra chegar a ela. Fui ao Samuca ontem, estimar o estrago, e a conversa foi a seguinte:

- Se quiser fazer serviço lambão, eu não faço.

- Queisso, Samuca, quero fazer a coisa direito.

- Então tem que arrancar motor, caixa e suspensão pra fazer. Traz o carro pra cá já sem o motor e a caixa, aqui eu tiro a suspensão e mexo no que precisar. Mas agora não tenho vaga na oficina, tem que sair algum carro primeiro.

Ou seja, isso tudo pra poder mexer na estrutura do carro, que (não precisa muito esforço pra perceber, apesar de minhas recentes tentativas de me convencer do contrário) tem que ser feita antes de todo o resto. MASSSS...

O motor tem que ser feito, a caixa vai ser trocada e também tem que fazer a suspensão. Sem contar a restauração de toda a parte dianteira.

Aí vem a pergunta cruel: vale a pena tirar isso tudo, mexer apenas na longarina e colocar tudo de novo, só pra daqui a mais um tempo tirar tudo outra vez??? Ou será que é melhor afundar até o pescoço nessa história logo e arrancar essa gangrena toda, restaurar a dianteira - inclusive as longarinas e assoalho, por aí vai - e só colocar a mecânica no lugar quando já estiver feita?

Claro, isso vai demandar muito mais grana inicialmente (muito mais do que eu podeira arranjar num primeiro pensamento), e, portanto, vai manter o Ogro no estaleiro por um tempo imenso, mas pelo menos a coisa vai ser feita toda de uma vez, e do jeito certo.

Lá mesmo no Samuca, tem vaga pra abrir na garagem. Talvez seja uma boa instalar ele lá por um tempo, protegido de sol e chuva, enquanto junto a grana pras peças a comprar e a mão-de-obra, e então fazer tudo num pau só. No meio tempo, vou desencavando os problemas das peças atuais pra ver o que está bom (será que existe??), o que ainda tem conserto e o que efetivamente está além da salvação. Menos coisa pro Samuca fazer, menos grana pra gastar.

Divagações, divagações... Tudo ainda na cabeça, sem concretização prevista.

Frase do dia: "Se pudesse fazer um único pedido a Deus, pediria para ser pobre por um dia. Porque ser pobre o tempo todo é uma desgraça!!!"

domingo, 21 de março de 2010

Problemas, sustos, uma oferta e uma alma lavada

Sábado de sol, céu de brigadeiro sorrindo em meio a vários dias nublados e chuvosos. Pergunta: qual o programa do dia? O de vocês eu não sei, o meu foi ir pro mecânico.

Finalmente, consegui que o Eduardo levantasse o carro pra orçar a bendita suspensão, além de ver o que causou a festa de São João fora de hora, segunda passada. O cara é ocupado, tão pensando o quê?

Colocando as coisas em ordem inversa, vou falar do mais fácil (ou sei lá, menos ruim, mas talvez não) primeiro: o carro estava horrendamente fora do ponto. Mas o Eduardo não tinha regulado o ponto dele da outra vez, quando trocou as pastilhas d'água? Sim, tinha, e isso me faz lembrar da síndrome do castelo de cartas - mexe-se em uma, caem todas. Acho que aquele orçamento de velas, cabos, rotor e tampa do distribuidor vai ter que se concretizar logo, logo... e isso só pra ver o que vai pifar logo depois, vocês vão ver.

O que deu pra entender é o seguinte (na minha pobre percepção): não adianta regular, assim que se começa a forçar o motor a coisa toda degringola de novo. E isso, de um jeito bem tosco, me causou certo alívio... já-já eu conto por quê.

Agora, o troço cabeludo. O Rogério levantou o carro pra olhar a suspensão. Maaaaaaaano... Phwd3w, de vez. A coisa tá feia, mas feia mesmo. E não só na suspensão. Eu quero imagens, eu quero imagens!!


Buchas? Que buchas? (1) - Detalhe: olha só o xará lá atrás...



Buchas? Que buchas (2) Sente só a situação da balança direita, completamente fora do lugar e prestes a pular fora




O câmbio? Bem, digamos que, na falta do original, um outro foi... hã... adaptado. A sustentação original do câmbio varetado foi literalmente serrada...




... e o suporte de um outro mais novo foi soldado no lugar



Tá amarrado, irmão!! Será que o cara que fez isso confiava no suporte do novo câmbio?


Bem, uma coisa ficou definida: esse carro nunca teve a caixa de mudanças na direção, era câmbio no assoalho de fábrica - as evidências abundam, inclusive o suporte velho cortado mostra o lugar inicial da caixa de mudanças. Mas, não contente com o varetado original, algum antigo dono muito lambão simplesmente arrancou fora e enxertou outro no lugar...

OBS.: Adeus, sonho de banco sofá... vão ficar os separados mesmo, mas vou conseguir os originais (o jogo que eu tenho é do '75 pra frente).

Agora, duas coisas que meteram medo de verdade:


Na roda dianteira esquerda, dois parafusos da suspensão estão tão frouxos que a coisa toda estava quase caindo - mesmo. Não sei quantas voltas foram dadas nesses benditos parafusos pra fixá-los de maneira minimamente decente. Era pra eu ter ficado sem roda no meio da rua.



Agora, (o que era pra ser, ou um dia foi) a longarina do lado esquerdo. A coisa tá muito, mas muito pior do que eu poderia imaginar nos meus piores pesadelos.



Amassada, torta, remendada



Mais de perto, a coisa piora



E piora mais ainda, quanto mais perto se chega da fixação da suspensão. Completamente podre



Sério, não dá pra imaginar quantas vezes essa longarina quebrou ou apodreceu e foi (muitíssimo mal) remendada. A coisa tá tão feia que o próprio Eduardo não opinou na hora de decidir o que fazer primeiro, a suspensão ou a reconstrução completa da longarina. Acho que vou ter que fazer essa primeiro, porque não vai adiantar trocar a suspensão pra fixar numa estrutura dessa. A saída é uma longarina toda nova, construída do zero. Vamos lá no Samuca, pra ver se ele topa um troço suicida desse (e quanto ele vai me cobrar...)

Moral da história? Crianças, quando forem comprar um carro com 37 anos de idade, OLHEM EMBAIXO DELE ANTES DE FECHAR NEGÓCIO!!!


Tava achando que acabou? Nananina... Outros pobreminhas:


Olha a obra de arte no cárter, todo amassado



Tá vendo a gotinha translúcida? É água, ainda vazando (a tão temida pstilha d'água da parte de trás do bloco também está mal das pernas, e pra trocar tem que tirar fora a caixa. Detalhe que também tá caindo óleo da própria caixa de marcha



Sente o drama: tudo borrado. Pra se ter uma idéia real do estado do motor, isso tudo vai ter que ser lavado. A longarina direita está bem melhor que a outra, embora também um pouco bombardeada


Bem, alguma coisa tinha que criar uma esperança nessa história toda, né? Pois bem: quando viu o estado do câmbio e o vazamento da pastilha d'água posterior (vai ter que desmontar tudo aquilo mesmo), o Eduardo me fez uma proposta indecente: ele tem uma caixa 4 marchas do ano do Ogro, toda certinha, e me ofereceu instalada, com a pastilha trocada e o mais, além do conjunto de embreagem, por um preço impublicável de bom. Resta saber se eu vou conseguir me virar na grana...

E pra fechar o dia, a lavagem da alma: depois de tanto tosse-tosse, ponto pulado e mortes súbitas no meio da rua, eu já estava me achando um inepto por não conseguir do Ogro um rendimento mínimo. Será que eu estou tão acostumado com golzinhos e outros 1.0 que não consigo encher a capacidade de um Opala? Mas não. Ao ver meus insucessos em tirar o carro de ré da rampa que é o acesso à oficina (o carro morria direto ao tentar subir), o Eduardo, indignado:

- Ah, peraí que eu vou dar uma volta nesse carro. Quer com emoção ou sem emoção?

Pulo pro carona e ele sua feio pra tirar o carro do lugar. O bicho cuspia, tossia, estourava, morria e não saía. Até que o Rogério deu uma mão empurrando e saímos.

Na mão dele, os mesmos problemas que eu enfrento. O Ogro não responde, antes de sair da inércia resmunga feio, quase morre. O rendimento na reta, já em movimento, também está sofrível. E, depois de penar pra colocar o carro numa vaga complicada perto da minha casa (ele nem quis voltar pra oficina dirigindo), diz:

- Cara, esse carro não pode andar, não.

Pode parecer cruel, mas senti um alívio tão grande... Pelo menos a incapacidade não é minha, e sim do carro - mais fácil de resolver, portanto.

O que fica agora é uma única dúvida. Qual problema mais que urgente eu resolvo primeiro: o risco de o carro não andar, arriar no chão ou quebrar no meio? BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ...

Pós-broxa

Bem, depois da vergonha de segunda-feira, eu precisava de um pouquinho da ânimo, né? Algumas visitas à oficina do Eduardo durante a semana foram ajudando (fui lá logo depois de ter o carro rebocado, pra conversar sobre o assunto e receber uma esfrega federal pela imprudência) e, na quinta, fui ao encontro do Opala Clube (semana passada eu não fui, estava arriado demais depois do dia de trabalho). Fui de carona com o próprio Eduardo, batendo papo. Chegando lá, a festa habitual, o ronco opaloterapêutico... mas, não mais que de repente, um (muito bem-vindo) estranho no ninho. Olha só o que parou do meu lado:


Sente o drama...




Pena que está com os enfeites alla USA...


Linda. E ponto.


Interior impecável

E aqui, algumas figuras carimbadas do Clube (desculpem pelas fotos horrorosas, a câmera do celular é uma droga)


Dava gosto de ver esse 4 portas


Trabalho primoroso: um membro do clube faz miniaturas em papel de vários carros. Essa Caravan, em homenagem ao um dos carros do presidente do clube, está toda proporcional, tem até interior e vem inclusive com o adesivo do condomínio dele no vidro!


O cupê Especial '72 do Welco, o presidente do clube


De novo o carro do presidente, agora visto de traseira. A cor? Marrom tropical (pena que a foto não faz jus, o carro é um ES-PE-TÁ-CU-LO, não canso de olhar pra ele)


Eu não tinha visto ainda, mas esse é o sedã '70 do Rogério, que trabalha com o Eduardo na oficina.

Pra melhorar o dia, foi o aniversário do Seu Rodolfo; teve bolo, parabéns e um bocado de alegria.

Momento desespero: e o meu Ogro lá em casa, apodrecendo no tempo... quanto tempo mais até ele apresentar a dignidade necessária para dar o ar da graça aqui no clube??