Era uma vez um moleque gordo que cresceu dentro de um Opala e ficou marcado por isso pelo resto da vida...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Botando a mão na massa

Opa!

Bem, uma vez com o bicho na porta de casa (não tenho garagem, e ver meu carro exposto às intempéries me angustia), é hora de verificar mais de perto o que é que a baiana tem...

Tem grade trocada tem
Pintura alterada tem
Tem muito plastic tem
E podres como ninguém...

Vamos brincar de jogo dos erros?



Vermelho: o motor do limpador do pára-brisa está no porta-mala;
Amarelo: Pintura? Hein? O carro era verde menta, agora a cor é essa que vocês veem
Azul-claro: Podres, podres, podres...
Lilás: frisos pintados de preto, amassados, aparafusados - enfim, uma melequeira só
Preto: os piscas funcionam... quando eu piso no freio
Azul-escuro: pára-choques amassados, podres, pintados primeiro de verde e depois de preto (eca)
Laranja: Essa grade era do De Luxo '71, se eu não me engano... veio de brinde (sinceramente, acho mais bonita que a original dele, devo manter e completar jogando as setas pra baixo do pára-choque)
Marrom: era uma vez um par de faróis auxiliares que... bem... não auxiliam mais

E isso foi só na primeira passada de olhos... Mas não tinha importância, desde o princípio, eu sabia que qualquer carro que eu comprasse seria assim. Por quê?
1) Falta de grana pra comprar um novo;
2) Sempre quis assim mesmo, pra eu meter a mão e fazer por minha conta (ou, pelo menos, acompanhar o processo e meter muito o bedelho).

Hora de procurar o Eduardo, e ver o que ele me diz do meu 2 portas...
- Cara você comprou um carro ingrato... - já começou ele, olhando meio triste pro meu Opala.
- Que isso, meu, fala isso não... Por quê?
- Por que até 74 as peças são as mais difíceis de achar, e as mais caras. Restaurar essas molduras cromadas? 400 pratas... Um para-choque novo? Mais de mil! Desculpa perguntar, mas quanto custou esse carro?
- Um barão. Documento aberto, falta pagar 2 anos.
- É, por esse preço eu nem reclamo, mas te prepara pra enfiar uma grana de respeito nele.

E ele me dizia de cadeira, pois - suprema coincidência - tem um cupê Especial 74 igual ao meu, no mesmo verde menta original, também restaurando. A angústia no peito ia crescendo. Mas, de repente, a luz; digo:

- Pô, não sei se você é muito purista, mas no meu trabalho eu mexo muito com fibra de vidro e carbono, e sei quem ensina a modelar peça automotiva...
O homem se animou na hora: - Cara, se você tem essa facilidade, a coisa muda de figura! E vou te dar a dica: se você fizer pro seu, vai ter mais gente querendo...

Conclusão: vamos ter muita figurinha pra trocar. E fica o pré-anúncio pra galera... Dentro de algum tempo, vai ter peça de Opala cupê até 74 saindo do forno!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Melhor que saber tudo é ter o telefone de quem sabe

Buenas!

Finalmente, a fome se reúne à vontade de comer, e eu consigo juntar as fotos e o texto no mesmo PC pra poder postar:

Uma coisa deveras importante eu ainda não contei: perto de onde eu moro - na verdade, virando a quadra - há um portão preto que quase sempre está fechado. Um belo dia, alguns meses atrás, estava o incauto que vos escreve passando ali perto quando um ronco assustador me fez olhar pro portão, que dessa vez estava aberto. E qual não foi minha surpresa quando eu vi lá dentro uma boa meia dúzia de Opalas, em variados estados de conservação / preparação /restauro. Não resisti e entrei, pra encontrar um cara jovem, cabeludo, que me recebeu ligeiramente ressabiado - como não poderia deixar de ser: surgi do nada, puxando papo, com o pretexto de ser apaixonado pela especialidade dele.

Resumindo: o cara é meu xará, entende pacas, trabalha com um outro cara chamado Rogério. Ficou o contato e a vontade de arranjar um Opala pra mim só cresceu. Detalhe: o ronco vinha de um cupê cuja turbina não pude nem arriscar a potência... De dar medo

Ainda antes de eu encontrar o meu, recorri a eles pra uma consultoria rápida sobre um cupê 88 que meu pai queria comprar, algumas semanas atrás. Não valia a pena, ele desistiu do negócio e acabou comprando um VW Apollo. Mas eu perseverei, e achei.

E a seguir, cenas do próximo capítulo:

Eduardo, todo pimpão com sua nova compra, inicia a busca pelos problemas do possante. Para isso contará com a ajuda de seu homônimo mecânico, que descobrirá fortes razões para empreender esta jornada...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Lacunas, lacunas...

É, manter o blog atualizado tá difícil!! Muita coisa acontece e pouco tempo há para escrever... Os posts estão protinhos no celular, mas cadê jeito de juntar com as fotos, transferir tudo pro PC certo e postar?

Uma coisa posso garantir: as coisas estão andando, os acabamentos e pára-choques, que eram pretos (vejam as fotos do carro assim que eu o peguei) estão voltando ao cromado original e a mecânica está ao menos orientada pra quer lado vai, apesar de ainda não ter saído do lugar. Um novo e essencial personagem entrou no jogo, e preciso comprar pneus...

Até a próxima!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Só de pensar que o meu vai ficar assim...

Howdy!!

Coração batendo mais forte: estava eu querendo achar o tom certo de verde em que o Ogro (nome delicadamente sugerido pela digníssima e aceito sem pestanejar), quando achei no altar de São Google duas fotos de um Opala 1973, verde menta, completamente impecável e de dar dor no coração. Aí seguem elas:


Essa aqui ficou melhor, talvez a iluminação:



Esse carro só difere do meu em duas coisas: a grade do meu é a do '71 (sabe-se lá por que foi trocada) e está com teto de vinil (o meu não tem, mas a patroa já pediu também). Claro, o fato de o meu Ogro estar em franco estado de decomposição é um detalhe que não deve ser lembrado diante de tão bem-conservado exemplar da família.

Detalhe: minha senhora está aqui ao meu lado (conheceu o blog agora) e tá me puxando a orelha pra gente começar a mexer no carro amanhã mesmo. Ter estímulo em casa é tão reconfortante... Imagina só se eu tivesse alguém me chamando de doido dentro de casa!

Vale lembrar: achei a imagem na internet - a url tá na foto, pra fazer as honras - não sei de quem é o carro e agradeço se alguém puder informar. Experiências trocadas são sempre bem-vindas...

Senhores, hora de ir dormir. Amanhã tem mais. Bas noite.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Movendo a montanha... de aço

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas agora era hora de buscar o carro. E eu me sujando de medo de não conseguir trazê-lo pra casa, de me deixar na mão no meio da rua etc. Afinal, ele estava na altura da passarela 35 da Av. Brasil, e eu morando no Rocha. Bota chão nisso...

Dinheiro na mão, bateria também, vamos recorrer ao meu cunhado e amigo Pereira (que vai ser citado algumas vezes aqui, devo muito a ele), que tem carro, pra me levar até lá e dar uma mão - ou uma corda - amiga. Ele vai sem problema, mas... Na última hora, adivinha quem entra junto no carro? Minha mãe e minha irmã. [Gulp...] Elas pediram carona a ele pra resolver um problema e, na última hora, me saem com essa:

- Mas vem cá, a gente não pode ir com vocês não?

[Suspiro] - Tá, né, mas vocês vão se arrepender...

Detalhe que elas não sabiam o que íamos fazer - muito menos o pandareco de carro que eu ia pegar... Minha mãe odeia copisa velha, e pra ela eu não passo de um maluco, pra dizer pouco.

Sete e tantas da noite de sexta-feira a gente chega lá, debaixo de chuva. Quando elas vêem o carro...

- Mas... é esse aí??!

- É, uai! Por quê?

- Ele não tem forração nas portas?!

- ... tá dentro do porta-malas.

- Eduardo, meu filho... quanto ele cara tá querendo nesse carro?

- Um barão, mãe. Não se preocupa, eu sei o que tô comprando, tem que fazer muita coisa nele.

- E você vai sair daqui dirigindo isso??

- [Suspiro] Assim espero, mãe.

E por aí vai. Mas, pra piorar, o carro não virava nem por decreto. Tentamos tudo: gasolina no carburador, ajustar a lenta... só não batemos tambor. Final das contas? Saímos de lá molhados, de mãos abanando, com minha mãe perguntando aos Céus onde errou e eu explicando por telefone à patroa que não estava levando o carro. O Guilherme (dono) se comprometeu a arranjar alguém pra resolver o caso e eu ligaria pra saber o resultado. Tristeza, tristeza...


Nasce a criança

Finalmente, na segunda-feira, recebo a notícia: o bicho viveu. E na terça, vou eu sozinho pra lá, rezando pro carro não desmontar na minha mão.

Conversa vai, conversa vem, testo o carro (duro e engasgando, mas ok), dinheiro pra lá, carro pra cá, apertamos as mãos e lá vou eu largar trintão na mão do frentista do primeiro posto. Já não consigo calibrar o pneu, os bicos estão muito afundados nas rodas serrinha de diplomata '88 (o Guilherme que comprou). Mil indicações sobre como chegar à Brasil e, chegando o crepúsculo, inicio a jornada, com uma nuvem de fumaças se misturando na minha cara. Estranho, né? Mas eu não achei, e segui em frente.


O primeiro "Aimeudeus"

Até o ponto em que eu peguei a saída errada e quase vou pro lado oposto da Brasil. Assim que eu vi meu erro, parei o carro e pedi informações.

- É facil, só seguir por aqui e virar embaixo da ponte, mas... o senhor já viu que seu carro tá fervendo?

Sim, eu já tinha visto. Essa era uma das fumaças que estavam invadindo o interior do carro - e das minhas narinas. Esperei um pouco, abri a tampa do radiador: absolutamente seco. Anoitecia, e o meu ânimo despencava junto com o sol.

Ligo pro Pereira, meus créditos acabam no meio do caminho. Mando uma mensagem pro Guilherme, não recebo resposta. Olho pro céu...

Passa um senhor, eu peço água pro carro. Ele ri, me empresta uma garrafa (nem isso eu tinha), me manda encher numa bica - a do vizinho, que também colabora. Completei e saí de lá com mais uma garrafa cheia, por precaução.

Errei mais algumas vezes, atingi a Brasil. Pra sair pra pista da direita foi outro parto: não conhecia as saídas, tinha medo da mudar (as setas não funcionavam), o carro fumaçando e a perna direita esquentando (um vapor caliente entrava pelo orifício do túnel central feito pra adaptar a caixa de câmbio no chão). Medo, muito medo.

Parei num posto perto de Bonsucesso, finalmente. E felizmente, porque a água já tinha secado toda outra vez. Fui encher a água, veio um senhor de regador na mão:

- É água?

- É, estou com um vazamento na mangueira, olha só. - A mangueira superior do radiador estava rachadana altura da braçadeira.

- Ah, pelamordedeus, meu filho! Cê não tem uma faca e uma chave de fenda aí não?

- [Vergonha] Não, acabei de pegar o carro...

Ele me puxa uma peixeira da cintura, corta a mangueira e coloca tudo no lugar, enchendo depois o radiador de novo. E me alerta pro fato de que não é o radiador original:

- Tá pensando o quê, meu filho?! Sou do tempo em que isso aqui era carro novo!

Dá um tapa na tampa do motor, que balança feiamente...

Muitos obrigados e uma caixinha depois, sigo viagem, pra finalmente chegar em casa fedendo a gasolina até os ossos e suado que nem cavalo de corrida depois do páreo.

Achando (e comprando) o Opala

Domingo, 17 de janeiro de 2010...

- Alô? Eu estou ligando por causa do anúncio do Opala, no site do Balcão, tudo bem?

- Ah, claro, eu vi seu e-mail e a sua mensagem, você é o Eduardo, não é? [Sim, eu tinha mandado].

- Pois é, cara, como está esse carro?

- Olha, eu comprei pra restaurar mas desisti por ter outras prioridades; o carro está andando, mas tem muita coisa pra fazer. Não está bom pro dia-a-dia, veio um cara aqui querendo um carro pra família e eu não vendi porque ia dar problema pra ele.

- Não, tá tranqüilo, eu quero comprar ele pra encostar e fazer tudo aos poucos.

Blá-blá-blá e amenidades pra ver o carro e tal...

- Mas e aí, tô mesmo interessado nele, como é que a gente faz com o preço?

- Bom, eu pedi 2 mil no anúncio, né... mas na verdade eu só quero parar de gastar com esse carro, então se você chegar com mil reais eu te vendo ele.

O coração falha umas duas batidas, engasopa, tosse. Respiro fundo:

- Bicho, então esse carro é meu! Segura ele pra mim que essa semana eu vou ver!


Dois dias depois, eu com a patroa na Vila Militar (o cara é capitão), nos apaixonamos sem virar a chave - o carro tava sem bateria. Papo vai, papo vem, negócio fechado, só faltou dar o dinheiro e trazer a bateria pra levar o carro.

Agora tenho que contar o episódio da sexta-feira 22 de janeiro, quando eu fui buscar o carro - e não consegui trazer. Mas não agora, hora de papar. Fui.

Parêntese na linha de pensamento...

Só porque deu tempo de ficar contente essa madrugada com o bicho:

Essa noite a minha digníssima (apresento ela depois) passou mal. Feio. A ponto de aceitar quando eu sugeri levá-la ao hospital. Não aguardei mudança de idéia e, enquanto ela se ajeitava, fui pro carro, coloquei a bateria e joguei uma gasolinazinha básica dentro do carburador (tenho que explicar isso em outro post), pus o bicho pra roncar e lá fomos nós, meia-noite e qualquer coisa, pra emergência do hospital. Foi a primeira volta da patroa no Opala, e mesmo com o bicho engasgando pela falta de regulagem, batendo metal à vera e ela sentindo dor, ficou espantada com a força do bichão:

- Que isso, Eduardo?! O Palio não era assim, não!!! (Outra história pra explicar...)

E eu, orgulhoso:

- Hehe... minha filha, debaixo desse capô aí na frente tem dois Palios e meio!

- Ah, eu vou querer aquele adesivo que eu vi naquele Opala lá da rua!...

Detalhe: O que dizia o adesivo? "Se for 1.0 nem tenta!"

E AÍ EU VOU PRA GALEEEEEEEERA!!!!